SUJEITO HOMEM

SUJEITO HOMEM

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um lindo poema de OMAR KHAYYÁM

Um lindo poema de OMAR KHAYYÁM na voz do POETA
( Poema 116 do livro Rubaiyat de Omar Khayyám, grande poeta, filósofo, matemático e astrônomo persa )

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

THE WHO - Baba O'Riley

THE WHO - Baba O'Riley
No YouTube este vídeo foi bloqueado em alguns países por causa da música.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Antiga Feira Nordestina de São Cristóvão

Antiga Feira Nordestina de São Cristóvão -
No YouTube este vídeo foi bloqueado em alguns países por causa da música

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O 8° capítulo e a última parte do romance Caminhos de Artaud

Eis o 8° capítulo (RANI) e a última parte (O TEMPO PASSOU...) do romance CAMINHOS DE ARTAUD
RANI
E ela chegou num dia brilhante, parecia frágil como uma gota de orvalho, e
forte como uma flor. Era um sonho real, uma filigrana na praia selvagem onde Artaud
descansava depois de mais uma tentativa frustada de embarque no aeroporto.
-Você não é o poeta que ontem fez aquela bonita apresentação entre os poetas
mais jovens? - perguntou a mulher.
-Sim, sou eu mesmo. Mas não estou me lembrando de você – disse ele.
-Eu estava sentada num cantinho do bar com uns amigos.
-Você freqüenta aquele bar? - perguntou Artaud.
-De vez em quando, quando estou aqui nesta cidade.
-E a praia?
-Muito raramente. Vim hoje porque não tem avião para Esperança – disse ela.
-É incrível! Eu também.
-Você também ia pegar o mesmo avião?
-Sim. A gente ainda não se apresentou. O meu nome é Artaud, e o seu?
-O meu é Rani.
-Rani é um bonito nome.
-Artaud também.
-Posso caminhar com você? - perguntou ele.
-Sim, pode.
-Antes vou fazer uma coisa – disse Artaud.
Artaud abriu a mala e tirou o filme que ia revelar, pôs no bolso, e depois correu
até à beira-mar lançando a mala às ondas.
-Pronto! Estou livre dela – disse Artaud.
-É, e ficou sem as suas roupas.
-Não tem importância, eu não gostava mesmo delas.
-Dizem que todo poeta tem um pouco de loucura – disse Rani.
-Você acredita nisso?
-Não. Como também não acredito em muitas coisas – disse Rani.
-Eu também.
-Acho que nós nos daremos bem – disse ela.
-Eu também acho. Vamos pra cidade comer alguma coisa? Estou morrendo de
fome.
-Vamos.
-Onde está a sua mala?
-Eu também joguei minha mala no mar – disse Rani.
Os dois riram muito e depois saíram caminhando à beira-mar. Ela por demais
fêmea, linda, sem pudor, soberana na Praia do Amor.
Num pequeno restaurante eles dividiram as despesas do almoço.
-Você pretende embarcar amanhã? - perguntou Rani.
-Sim, e você?
-Também.
-Então vamos embarcar juntos – disse Artaud.
-Mas, e até lá o que faremos? - perguntou Rani.
-Não sei.
-Vamos passear.
-É perigoso – disse Artaud.
-O perigo está em todos os lugares.
-É verdade. Mas... não temos nada a perder, não é?
-Mais alguma coisa, senhor? - perguntou o garçom.
-Não, obrigado.
-Vamos Rani!
E os dois saíram juntos pelas ruas de Paraíso. Em determinado momento, onde
duas ruas se cruzam, ele pegou a mão dela e foi prontamente correspondido. Mãos
sobre mãos e logo depois um ardente e longo beijo. Artaud e Rani desejavam-se
ardentemente um ao outro.
-Vamos fazer amor – disse Rani.
-Sim, mas onde?
-Veja! A porta está aberta – apontou Rani.
-A igreja!?
-Deve estar vazia.
-Então vamos.
Eles entraram discretamente. A igreja estava vazia e povoada por várias
estátuas e estatuetas com fisionomias lânguidas. Foram cada vez mais para o interior,
como se estivessem observando os arranjos, até que se depararam com uma porta
entreaberta, era a porta da sacristia. Entraram silenciosamente e se depararam com
uma belíssima mesa de mogno.
-Vamos Rani, aqui mesmo sobre a mesa.
-Feche a porta.
Artaud fechou cuidadosamente a porta. Depois, com carinho, tirou a calcinha
sob a saia de Rani. Ela deitou-se sobre a mesa e ali mesmo Artaud a possuiu como se
estivesse num sonho de adolescente. Rani era pura vibração carnal. Depois do ato os
dois trataram logo de se vestir.
-Ainda bem que não vivemos sob a doutrina do pecado – disse Artaud.
-As paredes desta igreja presenciaram um ato sublime – disse Rani.
Eles saíram da igreja e foram para uma praça. Sentaram num banco e, de mãos
dadas, ficaram observando as pessoas que passavam.
-Veja Rani, como esse povo é tão belo e ao mesmo tempo tão miserável.
-Ele não sabe a força que tem – disse Rani.
-Quando souber a história será diferente.
-E se nunca souber? - perguntou Rani.
-Então terá um fim trágico, como todos os povos que se deixaram abater –
respondeu Artaud.
-É um tempo horrível – disse Rani.
-Sempre foi. Deveriam apressar o tempo, a tempo de serem felizes – disse
Artaud.
-Esse povo é muito tolerante – disse Rani.
-Não deveria. Tolerante é a árvore que nos dá abrigo na vida e a madeira do
ataúde – disse Artaud.
-Agora vamos falar de nós, que a vida é curta e temos um longo caminho pela
frente – disse Rani olhando vivamente para ele.
-O que você faz, Rani?
-Sou professora, leciono para crianças.
-Tem que ter muita paciência, não é?
-Nem sempre, as vezes dá vontade de matá-los!
-Você deve ser uma boa professora.
-Sou suspeita pra falar. E você, além da poesia, o que faz?
-Sou um escritor que ainda não deu certo e um professor sem vocação.
-O escritor, certamente, dará certo. Você é um homem especial.
-Você é uma linda mulher em todos os sentidos.
E os dois se beijaram demoradamente. De repente, um homem apareceu na
praça.
-O amor é lindo! O amor é lindo! - gritava o louco.
Artaud e Rani riram dele, mas logo ficaram sérios.
-É um louco com certa consciência – disse Artaud.
-O verdadeiro louco não vê beleza no amor – disse Rani.
-A pior loucura é a dos homens que querem dominar a tudo e a todos – disse
Artaud.
-Você... - Rani é interrompida por um barulho de freada brusca, seguido por
um som abafado.
Todos correram para o lado de onde veio o barulho. Artaud e Rani também
correram em direção da aglomeração.
-Eu não tive culpa, não consegui frear a tempo. Devia ser um louco para fazer
isso – disse o motorista bastante abalado.
Artaud e Rani olharam para o chão e viram o louco da praça estendido, sem
nenhum reflexo, segurando uma flor amarela na mão.
-Está morto? - perguntou Rani.
-Sim, está – respondeu Artaud.
-Vamos sair daqui – disse Rani.
Artaud e Rani se afastaram do local.
-Você reparou? - perguntou Artaud.
-A flor na mão dele – respondeu Rani.
-Não, havia um sorriso na fisionomia dele. Ele morreu, quem sabe, feliz – disse
Artaud.
-Como o ser humano é estranho. Por uma atitude dele o chamamos de louco.
Mas a loucura, como tudo na vida, também é relativa. Tem muita gente que parece sã
e é doida, e tem muita gente que parece doida e é sã – disse Rani.
-Você tem razão.
-Para onde vamos? - perguntou Rani.
-Vamos para o hotel Paraíso.
-Mas não temos dinheiro suficiente – disse Rani.
-Sou conhecido lá, ficaremos só essa noite, partiremos de manhã e quando
derem por nossa falta já estaremos longe.
-Como vai me apresentar?
-Como minha esposa.
-E as malas!? Não temos malas.
-Diremos que fomos roubados perto do aeroporto – disse Artaud.
-Então vamos! Não temos nada a perder – disse Rani.
-Vamos querida! Uma bela cama nos espera.
Artaud e Rani chegaram ao hotel Paraíso ao anoitecer. O recepcionista
reconheceu Artaud.
-Já de volta, senhor Artaud?
-Houve um contratempo. Eu e minha esposa fomos roubados perto do
aeroporto, levaram as nossas malas – disse Artaud.
-Esta cidade está cada vez mais violenta – disse o recepcionista.
-Cada vez mais – disse Artaud.
-Aqui está a chave do seu quarto, o de sempre – disse o recepcionista.
-Obrigado. Vamos Rani. Ah! Por favor, pode nos servir uma refeição?
-Certamente. E para beber qual é o seu pedido?
-Uma garrafa de vinho tinto suave – disse Artaud
-Providenciarei imediatamente – disse o recepcionista.
Rani e Artaud foram para o quarto. Estavam no banho quando a campainha
tocou. Artaud enrolou-se na toalha e foi abrir a porta. Era um funcionário trazendo a
refeição.
-Aqui está, senhor.
-Obrigado. Pode deixar aqui mesmo.
Depois do banho, jantaram degustando o vinho tinto suave. Deitaram na
confortável cama e acabaram adormecendo juntos, um agarrado ao outro. Acordaram
ao mesmo tempo com um forte cheiro.
-Artaud, que cheiro é esse?
-Algo está queimando. Vou ver o que é – disse ele se vestindo rapidamente.
Quando Artaud abriu a porta o corredor estava tomado por uma densa fumaça.
“Fogo! O hotel está pegando fogo” - pensou ele fechando a porta
imediatamente.
-Rani, vista-se. Vamos sair daqui, há fogo neste andar.
-Fogo! Vamos descer logo – disse Rani vestindo rapidamente a roupa.
-Não adianta, Rani – disse Artaud olhando pela janela.
-Não!?
-O incêndio é no andar debaixo. Temos que subir. Vou pegar duas toalhas e
molhar bem.
Artaud pediu a Rani que pegasse uma das toalhas molhadas e a colocasse sobre
o nariz e a boca, e logo em seguida saíram do quarto envoltos pela fumaça. Foram
para o andar logo acima, mas lá também já havia bastante fumaça. Continuaram a
subir até que chegaram ao último andar onde havia uma pequena escada e uma porta
que dava para o terraço.
-Está aberta! - disse Artaud segurando Rani pelo braço.
Ambos correram pelo terraço procurando uma saída.
-O ar está quente! - disse Rani
-Veja! Há um vão daquele lado que dá para o prédio vizinho. Temos que pular
logo.
-Deve ter quase dois metros!
-Não temos escolha, há muita fumaça e fogo. Não poderão nos ver aqui – disse
Artaud.
-Não conseguirei – disse Rani.
-Vamos pular juntos, de mãos dadas. O parapeito é largo. Correremos sobre
ele, um ao lado do outro, para tomar impulso.
-É loucura!
-Vamos Rani! O fogo logo estará aqui deste lado e aí não teremos salvação.
A fumaça já estava envolvendo todo o terraço. Ambos jogaram as toalhas fora
e subiram no parapeito. Artaud ficou do lado externo e Rani do lado interno, ele
tentou olhar para baixo mas a fumaça não deixou.
É agora Rani! Vou contar de um a três e aí corremos e pulamos. Não largue a
minha mão.
Eles correram pelo parapeito mas pararam de supetão na junção dos dois lados
que ainda não havia muito fogo, a fumaça já estava ficando muito densa naquele
local.
-Vamos tentar novamente – disse Artaud.
-Depressa, meus olhos estão ardendo muito – disse Rani voltando alguns
passos para trás.
-Vamos! - gritou Artaud.
E os dois correram de mãos dadas pelo parapeito, tomaram impulso e
lançaram-se no espaço. Num piscar de olhos caíram no terraço do prédio ao lado que
estava num plano inferior de meio metro. Artaud e Rani rolaram pelo chão.
-Você está bem, Rani? - perguntou Artaud ainda sentado no chão do terraço.
-Acho que sim, machuquei um pouco o tornozelo.
-Estamos livres, vamos sair daqui – disse Artaud levantando-se do chão.
Artaud correu em direção de uma porta de madeira e observou que estava
trancada. Deu um impulso e lançou o pé sobre a porta, mas ela não abriu. Então
repetiu o gesto novamente, até que na terceira tentativa a porta abriu.
-Vamos, depressa – disse Artaud segurando o braço de Rani.
Desceram vários lances de escadas até que pararam em um dos andares.
-Não há ninguém neste prédio? - perguntou Rani.
-Este prédio é comercial, a essa hora não deve ter mais ninguém trabalhando
por aqui.
-Vamos logo sair daqui – disse Rani.
E eles desceram rapidamente as escadas. Chegaram ao térreo exaustos e saíram
do prédio caminhando lentamente.
-Vejam! É o senhor Artaud e a sua esposa – gritou o recepcionista do hotel.
Artaud e Rani se depararam com uma multidão observando o incêndio. Quando
olharam para o alto viram o hotel Paraíso totalmente envolvido pelas chamas.
-Senhor Artaud, nós pensamos que vocês estivessem mortos! - disse o
recepcionista.
-Ainda não foi dessa vez – disse Artaud.
-Demos o aviso de incêndio. Foi tudo muito rápido – explicou o recepcionista.
-Vamos senhores, vamos fazer um exame médico – disse um médico
bombeiro.
-Não se preocupe senhor Artaud, arrumaremos uma vaga para o senhor e a sua
esposa em outro hotel – disse o recepcionista.
-Obrigado. Alguém se feriu?
-Não, felizmente.
Rani e Artaud foram então atendidos pelo médico
-Como ela está, doutor? - perguntou Artaud.
-Está bem. Só teve uma pequena torção no tornozelo – disse o médico.
-Foi durante o salto de um terraço ao outro – disse Rani voltando com uma
bandagem no tornozelo.
-Vocês tiveram muita sorte – disse o médico.
-Fizemos a coisa certa na hora certa – disse Artaud.
Artaud e Rani não procuraram os responsáveis pelo hotel, afinal, iriam embora
dentro de poucas horas.
O dia amanheceu num arrebol deslumbrante. O casal observou o espetáculo
sentados num banco da praça, onde passaram, abraçados, o final de noite.
-O avião só deve levantar vôo às 7 horas. Vamos para o aeroporto, lá a gente
lava o rosto e toma o café da manhã – disse Artaud.
No aeroporto, Artaud encontrou o mesmo funcionário sonolento.
-Por favor, o avião para Esperança está pronto? - perguntou Artaud.
-Sim, decolará às 7 horas.
Artaud então comprou duas passagens. E do saguão observou o velho bimotor
na pista.
-Veja Rani! Finalmente o avião.
-O dia está lindo para voar – disse Rani.
-Sim, está lindo. Vamos tomar café.
Minutos depois o estridente auto-falante do aeroporto avisava: 'Vôo para
Esperança daqui a quinze minutos, por favor, dirijam-se ao Portão de Embarque'
Rani e Artaud foram caminhando pela pista. De repente, pararam e olharam
para trás por alguns segundos, depois deram-se as mãos e um beijo.
Às 7 horas e 9 minutos o velho avião levantou vôo. Lá do alto eles observaram
os destroços, ainda fumegantes, do que foi o Hotel Paraíso.
O TEMPO PASSOU...
Em outro lugar, não em Esperança, Artaud casou com Rani no civil. Tiveram
dois filhos e muitas histórias.
Num determinado dia, do tempo de suas vidas, eles observavam a fragilidade e
a leveza dos peixinhos num aquário. Enquanto Rani e as crianças admiravam os
peixinhos, Artaud olhou, como sempre fazia, para a bonita fotografia do lendário
navio encalhado. Era como um troféu pendurado na parede.
Artaud abraçou Rani e as crianças.
“São muitos os caminhos que um homem precisa percorrer para encontrar a sua
praia” - pensou Artaud.
-Olha Artaud! Como ficou lindo o navio no fundo do aquário! - e Rani deu um
lindo sorriso para Artaud.
****
Caminhos de Artaud
Romance de Antonio Fernando – terminado em 23-09-2003 – revisado em
março e abril de 2006 – novamente revisado em setembro de 2010 – e revisado
definitivamente em junho de 2012.
Digitalizado em junho de 2012 por Antonio Fernando.
Todos os Direitos Autorais são de Antonio Fernando V. de Almeida
Copyrights by Antonio Fernando
Registrado no Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional
2012 - Rio de Janeiro - Brasil

A ESFERA DE PLASMA

A ESFERA DE PLASMA