A janela aberta
deixa entrar o ar frio da noite
um frio puro, verdadeiro
daqueles que fazem o corpo encolher
Eu, menino, deitado no leito
de um hospital
era só solidão, saudade de casa,
dos braços da minha mãe
dos braços da minha avó
No silêncio da noite
um feixe de luz branca
entra pela porta
adormeço...
acordo com barulhos ao meu lado
corpos em roupas brancas
cercam a cama ao meu lado
Era um menino, um coleguinha,
sem uma perna
levaram ele...
adormeço...
acordo com um raio de luz
entrando pela janela
A cama está vazia
eu pergunto a enfermeira
-Onde está o coleguinha?
Ela responde:
-Partiu para o céu!
Eu duvidei,
não se parte para o céu
numa noite fria
Comprendi então
que se pode morrer
numa noite fria
ANTONIO FERNANDO
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