Meu canto
Brilha em meus olhos
o brilho mais cintilante
luz em preto e branco
refletida em águas
do porto mais lindo
de um tempo revolto
em ondas humanas
Eis meu canto
naufragado num tempo louco
livre como um cão correndo feliz à
beira-mar
Desprovido de religião
de qualquer coisa que oprima a razão
eis meu canto
sem platéia, numa terra perdida
entre balas e cocaína
poesia livre sem abrigo
desdobrada na borda do tempo
finitamente contado na ampulheta de cada vida
Eu, que vi tantas mortes
lamento a morte do jovem poeta
Eu, no topo da montanha
lamento a juventude perdida
terra triste, estranha, disfarçada em
carnaval
em fanatismo de todos os matizes
não quero sua festa mórbida
ANTONIO FERNANDO
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