Não tenho rimas
não tenho muros cercando a minha casa
acima de mim o infinito me abraça
além de Aldebarã, numa estrela mais
próxima talvez
alguém mais atento me compreenderá
Do farol de Alexandria só restou a luz
viajando pelo infinito espaço
Da minha poesia só restará as
partículas
de uma estrela em pedaços
No alto da serra
presenciei o mais profundo silêncio cósmico
toda a exuberância da Via Láctea se
fez presente
- em meus olhos -
o universo falou a linguagem cósmica
que nenhum mundo barulhento entende
A cada horizonte transpassado
nascem as flores da sabedoria
fazendo de mim um novo ser
Do novo que fui um dia
ficou um velho coração
ribombando ao longe
na outra margem da vida
ANTONIO FERNANDO
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